Os ditos populares refletem uma sabedoria que nem sempre os novos tempos contemplam como verdadeiros. No caso do citado acima, parece que ele resistiu à “era da ciência e do conhecimento”, pelo menos no que tange às aprendizagens e ao ensino.
Aprender é tarefa complexa que requer, dentre outros investimentos, um tempo que seja adequado para o desenvolvimento do raciocínio conceitual, para as conexões, articulações e as possíveis e necessárias transferências que o tema suscite. Um sujeito é considerado escolarizado e competente quando demonstra possuir um grupo de ferramentas, pautando no conhecimento e na desenvoltura, para resolver problemas e reconstruir, com qualidade, a sua forma de viver e conviver.
Estudando o livro “Como as pessoas aprendem: cérebro, mente, experiência e escola”, organizado pelo conselho nacional de pesquisa dos Estados Unidos e publicado pelo SENAC, fiquei bastante reflexiva com os encaminhamentos dados pelos pesquisadores à máxima: “currículos que tem 1km de extensão e poucos centímetros de profundidade”. Percebo que essa tem sido uma tendência das escolas: unir quantidade x menor tempo, apesar de a sociedade pedir outro perfil de cidadão.
Na referida pesquisa, fica claro que as práxis educacionais que enfatizam um grande numero de conteúdos e que, muitas vezes, não se encontram entre si, podem impedir que o aluno, efetivamente, aprenda. Por não terem o tempo necessário para o levantamento de hipóteses, experimentação e as reflexões que encaminham às sínteses e às avaliações, os alunos acabam desenvolvendo, no máximo, habilidades para tratar de forma rasa um determinado conteúdo. Muitas pessoas são habilidosas em operações matemáticas, mas não demonstram ser competentes para resolver questões relacionada aos princípios dessas operações.
A pessoa competente pode ser reconhecida pela qualidade das estratégias que utiliza para pensar o problema e escolher os instrumentos para a melhor intervenção.
Traduzindo para as práticas educacionais, poderíamos afirmar que o ensino teria de se pautado numa mediação que favorecesse, além do desenvolvimento de habilidades, a reflexão dos aprendizes em busca de um sentido e de um significado próprio. Para isso, tanto a problematização, quanto as aulas-passeio e o trabalho por projetos, dentre outros, tem se mostrado muito eficientes. Muitos dos nossos alunos, apesar de estarem com média nas matérias, ficam desprovidos dos instrumentos que fundamentam um conhecedor e que encaminham para uma ação competente.
Os verdadeiros objetivos da educação, e o motivo pelo qual os pais matriculam seus filhos na escola, estão na promoção e construção do cidadão competente e pronto para o bom convívio social. Contudo, a sociedade nos envia uma mensagem ambígua, pois ao mesmo tempo em que ela precisa de um cidadão politicamente correto e conhecedor, ela apressa essa entrega, pela sua urgência.
A escola necessita ter a sabedoria para administrar esse conflito e cumprir com sua missão social.
Quem não quer, ou pensa que não pode perder tempo com aprofundamentos no ensino, esta apenas postergando o que precisará ser feito mais tarde – o mergulho necessário para promover as aprendizagens.
Uma pessoa que “estuda” para passar de ano, realmente não aprende para toda a vida.
Aprender é um processo que quando acontece modifica a pessoa inteira, sua forma de viver, de entender o mundo e de participar nele!
Isabel Parolin |