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Orientação Sexual
 

Como lidar com os questionamentos das crianças?

Em uma farmácia qualquer, pai e filho aguardam a vez na fila do caixa. O menino aponta para um pacote de preservativos na gôndola ao lado e dispara: “Pai, o que é isto?”. Olhando para as outras pessoas que esperam na fila, constrangido, o pai reflete sobre a resposta que vai dar ao filho. Em vão. “É para colocar no pênis, né?”, conclui o garoto para o próprio atônito.

Esse tipo de situação “constrangedora” é cada vê mais comum para quem tem filhos. Hoje, as crianças já nascem sabendo tudo, mas os pais, oriundos de uma geração que sequer permitia que crianças tivessem liberdade para perguntar, ainda precisam aprender a lidar com esses questionamento sem corar a face. E os educadores também. O professor que ainda não se engasgou diante de perguntas como “Como nascem os bebês?” ou “O que é sexo?” aguarda nervosamente o dia em que ela vai chegar. E com a certeza de que ela vai chegar.

Para a psicóloga e educadora sexual Laura Müller, acostumada às perguntas picantes dos adolescentes que assistem ao Programa Altas Horas, da Rede Globo, é natural que ás crianças comecem a ter curiosidade sobre sexo desde bem pequenas, com perguntas ingênuas. “Cabe aos adultos responderem com clareza e na linguagem da criança”, explica.

De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN --, no que diz respeito à sexualidade, “cabe à escola abordar os diversos pontos de vista, valores e crenças existentes na sociedade para auxiliar o aluno a construir um ponto de auto-referencia por meio da reflexão”, complementando a função da família nesse processo. A sugestão é que as escolas abordem o tema com crianças a partir de sete anos de idade. Para Laura Müller, se a abordagem for feita de forma educativa, isso não estimula a sexualidade precoce, como muitos vociferam, mas sim uma maior responsabilidade e capacidade de escolhas mais saudáveis em uma fase amadurecida. “O bate-papo pode e deve ser feito não só na escola, mas em casa também, pois a orientação sexual é responsabilidade de ambas”, diz.

A assistente de Marketing da Editora Positivo, Regiane da Silva, tenta manter um diálogo saudável sobre sexo com o filho Caio, de 10 anos. “Quando ele tinha 7 anos, viu um programa na televisão que mostrava o acasalamento entre borboletas. Ele me perguntou o que elas estavam fazendo e resolvi explicar o que era sexo”, conta. Regiane diz que o filho não costuma perguntar muitas coisas, mas ela procura sempre saber como ele se sente em relação a isso. “Pergunto sobre as namoradas e digo sempre a ele que, quando sentir algo diferente que for especifico do corpo masculino, ele pode perguntar ao pai também, que é homem e pode esclarecer melhor qualquer dúvida que ele tiver”, diz.

É claro que, para falar de sexo, é necessário utilizar uma abordagem diferente de acordo com o público que se quer atingir. Mas, no geral, a orientação é a mesma: tocar no assunto de forma clara e direta, sem medos ou constrangimentos. “Cada indivíduo precisa ser orientado de acordo com o momento de vida em que está. Em linhas gerais, crianças estão na fase de uma série de descobertas e a educação sexual deve passar orientações iniciais sobre a sexualidade e funcionamento corporal. Já o adolescente está na fase de iniciação sexual, tanto de prazer e afeto como de prevenção de doenças e de gravidez fora de hora”, orienta Laura.

Quando a dúvida parte da criança ou do adolescente, o melhor é agir com naturalidade e responder com sinceridade aos questionamentos. Segundo a sexóloga, tudo tem que acontecer de forma natural, mas não se pode impor nada a ninguém. “Temos que lembrar que cada pessoa vai construir seu jeito próprio de ver a vida e lidar com a sexualidade. O que podemos é oferecer alguns esclarecimentos básicos e educativos. Se a escola, os pais e a sociedade conseguirem fazer isso, já é um grande caminho”, completa

 
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