Vivemos a geração delivery, cujos desejos pode ser “adquiridos” (não realizados) com um clique em seu computador, ou numa simples chamada telefônica, caso o leitor não queira se incomodar em ir até o shopping. Clica-se no trabalho esta lá... pronto! Um milagre que faz com que nossos jovens e crianças creiam ser desnecessário ler trabalho, ou ainda, estudar e compreendê-lo... Basta procurar e clicar!
Sei de jovens que por estarem bem acomodados, diante da TV ou de seu computador, ligam para os pais pedindo coisas. Quando questionados, esses pais argumentam: “temos um plano que torna a ligação entre nossos celulares sem custo algum!” A geração delivery é o universo do já pronto, do descartável, do já pensado, da rápida entrega e do rápido consumo... E, de preferência, com pouco esforço! Como conseqüência, ouvimos queixas de pais e de professores que seus filhos/alunos não se esforçam, não querem estudar, não se responsabilizam, não se comprometem e são rasos e folgados; os educadores, ao contrário, estão estressados de tanto trabalhar! Qual a repercussão dessa dinâmica social na qualidade das aprendizagens? Certamente, já devem estar deduzindo... A aprendizagem é entendida como complexa. Dentre os múltiplos fatores que interferem no ato de aprender estão os aspectos ligados ao desejo de aprender e a mobilidade que o aprendiz desenvolveu e que ele coloca a serviço dessa jornada. Muitos de nós ouvimos alguém afirmar: “Estude para ser alguém na vida!”. Essa é uma das verdades-parciais que temos de ressignificar. Essa afirmativa era verdadeira quando freqüentar a escola bastava como um diferencial na vida da pessoa. O diploma era até pendurado na parede. Hoje os nossos jovens, apesar de terem tirado a média requerida pela escola, constatam que na vida do trabalho a média é outra. Ser alguém na vida quer dizer: saber pensar e fazer alguma coisa de uma forma bastante particular. Apesar da universalidade do conhecimento, o mercado de trabalho pede “conhecedores” que transitem entre as dimensões do geral e do especifico; das peculiaridades de uma camada social ou de uma determinada comunidade ao conhecimento cientificamente organizado. Dentre as qualidades que o mercado de trabalho tem exigido dos cidadãos, a mais solicitada é a possibilidade de resolver problemas de forma competente, ética e com sustentabilidade. Se por um lado nossas crianças e jovens da geração delivery têm tido uma dinâmica social voltada ao tudo pronto e de rápida entrega, por outro a sociedade exige um cidadão com instrumentos para identificar o conhecimento, interagir com ele e reconstruí-los. Se dar bem na vida, estudar, aprender, escolarizar-se e tirar um diploma, são conceitos que têm sido revistos. A vida e o mercado de trabalho têm exigido cidadãos que embora saibam coisas relacionadas com seu estudo e diploma façam muito mais do que isso. Os professores, diante dessa nova realidade, têm tido de repensar o desempenho de seu papel profissional, sua forma de trabalhar e de se relacionar com seus alunos e com conhecimento. Se as facilidades da tecnologia e as dificuldades do corre-corre do dia-a-dia conspiram contra a construção do sujeito apto a atender as exigências dos novos tempos, que a escola e os educadores de modo geral, estejam atentos a essa realidade e às reais necessidades de seus alunos e familiares. Não podemos esquecer que educar é formador de cidadãos instrumentalizados para viver com responsabilidade os desafios dessa nova erra.
Isabel Parolin |